Hoje não é nenhum dia atípico, nenhum dia fora do comum, nem
nenhum dia que algo diferente tenha acontecido. Aliás, talvez isso já seja algo
diferente. Ou talvez a falta de diferença tenha feito eu chegar até aqui, após
tantos anos afastada...
E a ideia era somente escrever sobre o que anda acontecendo
no momento, sobre os projetos, sobre a vida... Mas uma palavra tomou conta do
momento e foi ela a artista principal desta noite... Quem? Ela, que faz parte
da vida de quase todas as pessoas que eu conheço...
A Rotina... Ah, a rotina... Quem é você, que por onde passa
deixa um rastro e esse rastro deixa a inquietação...
Quem é você que não cansa de ser presente e não cansa de
andar de mãos dadas com a acomodação?
Se ao menos um dia resolvesse dormir até mais tarde pra me dar
a liberdade de não te encontrar...
Se um dia, sequer, ousasse se esquecer de mim, pra que eu pudesse,
então, minha vida mudar...
Rotina, rotina, rotina... Seus passos viram até uma falsa sintonia,
como o falar do seu nome por repetidas vezes.
Vá, rotina, tirar umas férias, que não precisam ser eternas,
mas que agora podem causar.
Vá, rotina, pra bem longe de mim. Não quero sua paz, sua
calma e nem tão pouco suspirar o mesmo ar.
Quero a aventura de um dia atípico. Quero o conhecer de dias
diferentes. Quero saber como é a vida sem você por perto, sem sua companhia,
sem sua nostalgia!
Hoje e só hoje, quero saber o que é não ter hora pra
acordar, não ter hora para compromissos. Quero ficar de perna pro ar, sem me preocupar,
se tenho ou não que trabalhar.
Quero, rotina, que você volte um dia, mas nesse momento, me
deixa viver do jeito mais real que eu posso. E com toda a ganância de um dia de
paz e liberdade...
Rotina, rotina, quem é você me inquieta desse jeito, não me
dando o respeito, que eu tanto sonhei...

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